A Alegada Vontade Permissiva de Deus
Herman Hoeksema
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Com respeito aos atos pecaminosos dos homens e
demônios, devemos falar não somente da permissão de Deus, mas também
de sua determinação. A Sagrada Escritura usa uma linguagem bem mais
positiva. Devemos entender que o motivo para se falar da permissão de
Deus, e não de sua vontade determinada com respeito ao pecado e os atos
maldosos dos homens, é que Deus nunca pode ser apresentado como o autor
do pecado. Mas esse propósito não é alcançado falando-se da
permissão de Deus ou de sua vontade permissiva: se o Todo-poderoso
permite o que poderia igualmente ter impedido, é a mesma coisa do ponto
de vista ético se tivesse ele mesmo assegurado. Dessa forma, perdemos a
Deus e sua soberania: permissão pressupõe a idéia que existe um poder
fora de Deus, que pode produzir e fazer algo à parte dele, mas que
recebe a mera permissão por Deus para agir e operar.
Isso é dualismo, e aniquila a soberania completa e
absoluta de Deus. Devemos manter que o pecado também, e todos os atos
perversos dos homens e anjos, tem um lugar no conselho de Deus, no
conselho de sua vontade. Isso é ensinado pela palavra de Deus. Sem
dúvida foi de acordo com o conselho determinado de Deus que Cristo foi
cravado na cruz e que Pilatos e Herodes, com os gentios e Israel,
reuniram-se contra o santo Jesus (Atos 2:23; Atos 4:24-28). Portanto, é
muito melhor falar que o Senhor em seu conselho não somente odeia o
pecado, mas também determinou que aquilo que ele odeia aconteceria para
revelar seu ódio e servir a causa do seu pacto.
Fonte: Reformed Dogmatics, Herman
Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, vol. 1, pp. 226-227.
1E-mail para contato: felipe@monergismo.com.
Traduzido em fevereiro/2007.
(Para
material adicional de Herman Hoeksema's Reformed Dogmatics em
Português, por favor, clique aqui)