Apóstolos, Profetas e Evangelistas
Rev. Angus Stewart
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Um dos gloriosos propósitos da ascensão vitoriosa
do nosso Salvador ao céu (Ef. 4:8) foi dar à Sua amada igreja homens
para ensinar-lhe a verdade de Sua Palavra: "E ele [i.e., Cristo]
deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como
evangelistas, e outros como pastores e mestres" (v. 11, ARA).
Esse texto, Efésios 4:11, é usado em muitos
círculos pentecostais/carismáticos como prova para o seu contínuo
"Ofício Quíntuplo" ou "Ministério Quíntuplo".
Isso é um engano, primeiro, no fato desse versículo se referir a
quatro, e não a cinco ofícios: Cristo "deu [1] uns como
apóstolos, e [2] outros como profetas, e [3] outros como evangelistas,
e [4] outros como pastores e mestres" (v. 11). A última frase é
crucial nesse contexto. Ele não diz "outros como pastores, e
outros como mestres", mas sim "outros como pastores e mestres",
indicando que "pastores e mestres" (sendo governados por
"outros") referem-se a um ofício, aquele de pastor/mestre.
Segundo, três desses quatro ofícios não são permanentes na igreja do
Novo Testamento (como veremos).
Consideremos cada um desses quatro ofícios,
começando com aquele primeiro listado, o de "apóstolos". Os
apóstolos, no sentido técnico na Bíblia, são os onze discípulos
(Judas sendo um apóstata), Matias (Atos 1) e Paulo (Atos 9). As
qualificações desses homens incluíam ter visto o Cristo ressurreto;
ter sido designado diretamente por ele; ter autoridade sobre todas as
igrejas (2Co. 11:28); ter terríveis perseguições (1Co. 4:9); e a
operação genuína de milagres no serviço do verdadeiro evangelho
(2Co. 12:12). O Cristo assunto ao céu deu a esses homens a graça e a
autoridade para lançar os fundamentos da igreja do Novo Testamento pelo
evangelho de Jesus Cristo e escrever a Escritura canônica (pense nos
escritos inspirados de Pedro, João e Paulo).
Essas qualificações excluem qualquer e toda
alegação de ser um apóstolo desde a morte do amado João até o
retorno triunfante de Cristo no final do mundo – contrário às
alegações de Roma que o papa é o sucessor do apóstolo Pedro e as
pretensões dos "apóstolos" da Igreja Católica Apostólica
de Edward Irving (1792-1834), os mórmons e muitos pentecostais.
Segundo, Efésios 4:11 fala de "profetas".
Esses profetas são oficiais extraordinários com dons extraordinários,
especialmente no fato de receberem revelação diretamente de Deus. Isso
incluía a previsão inerrante de eventos futuros. Assim, o profeta
Ágabo predisse a fome nos dias de Cláudio Cesar (Atos 11:28-30) e as
prisões e sofrimentos de Paulo em Jerusalém (21:10-11). Nós temos
também vários livros canônicos (Mateus, Marcos, Lucas, Tiago e Judas)
escritos por profetas inspirados do Novo Testamento. Esses, com os
escritos canônicos dos apóstolos, constituem o fundamento da igreja do
Novo Testamento (Ef. 2:20).
Terceiro, Efésios 4:11 fala de "evangelistas".
Esse nome é especialmente dado em seu sentido técnico a Filipe (Atos
21:8) e Timóteo (2Tm. 4:5). Esses homens, e outros, tais como Tito,
serviam como assistentes dos apóstolos. Os evangelistas receberam um
chamado extraordinário; Timóteo foi designado ao seu ofício "por
profecia" (1Tm. 4:14). Eles exerciam dons extraordinários. Filipe
operou milagres em Samaria (Atos 8) e Timóteo recebeu o "dom de
Deus" com a imposição de mãos de Paulo (2Tm. 1:6). Nas
escrituras do Novo Testamento, vemos evangelistas sendo deixados ou
enviados a novas igrejas para edificá-las, como Timóteo em Éfeso
(1Tm. 1:3) e Tito na ilha de Creta (Tito 1:5).
Esses três ofícios, embora diferindo um dos outros
em vários particulares, têm várias coisas importantes em comum.
Primeiro, eles são ofícios extraordinários. Apóstolos, profetas e
evangelistas receberam um chamado extraordinário. Apóstolos e
evangelistas e (provavelmente alguns) profetas operavam milagres.
Apóstolos e profetas (mas aparentemente não os evangelistas) eram
inspirados.
Segundo, esses três ofícios envolviam trabalho
itinerário, mudando-se de um campo de labor para outro. Isso é
particularmente claro com os apóstolos e evangelistas.
Terceiro – e isso é especialmente importante
contra o assalto pentecostal –, todos esses três ofícios eram
temporários. Os apóstolos e profetas lançaram o fundamento da igreja,
e isso foi feito de uma vez por todas (Ef. 2:20). Por meio dos
apóstolos e profetas, temos agora a Escritura inspirada, inerrante,
suficiente e completa (2Tm. 3:16-17; Ap. 22:18-19). Os evangelistas
morreram com o ofício que eles ajudavam, aquele dos apóstolos. Pois de
nenhum desses ofícios recebemos regras para a sua continuação ou uma
lista de qualificações, diferentemente dos ofícios permanentes de
presbítero e diácono (1Tm. 3; Tito 1).
Quarto, os ofícios de apóstolo, profeta e
evangelista, como o ofício de pastor/mestre, são ofícios de ensino (Ef.
4:11). Essa é a idéia chave no contexto (vv. 11-16). Isso explica
também o porquê os ofícios especiais de presbítero e diácono não
são mencionados aqui, pois a idéia chave desses ofícios é governar e
administrar as misericórdias de Cristo, respectivamente, e não o
ensino (como tal).
Fonte: Covenant
Reformed News, November
2007, Volume XI, Issue 19.
1E-mail para
contato: felipe@monergismo.com.
Traduzido em dezembro/2007.
(Para
material Reformado adicional em Português, por favor, clique aqui)