Casamento no Senhor
Rev. Angus Stewart
Tradução: Mateus Mota
1 Coríntios 7:39 ordena que se um cristão for se
casar, deve fazê-lo "somente no Senhor". Obviamente isso
proíbe o casamento com incrédulos e, portanto, namorá-los, pois o
propósito do namoro é verificar se é a vontade de Deus que você se
case com aquela pessoa. O pecado de cristãos professos namorando e se
casando com incrédulos levou à apostasia da igreja existente antes do
dilúvio e à destruição do mundo antigo pelo dilúvio (Gênesis
6:1-2)! Desobedecer ao mandamento de Deus casando-se (ou namorando) um
não-cristão é uma das diversas maneiras pelas quais um(a) filho(a) de
Deus coloca sobre seus ombros (o doloroso) jugo desigual: "Não vos
ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade
pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz
com as trevas?" (2 Coríntios 6:14). Dessa forma, diz a Confissão
de Fé de Westminster: "A todos os que são capazes de dar um
consentimento ajuizado, é lícito casar, mas é dever dos cristãos
casar somente no Senhor; portanto, os que professam a verdadeira
religião reformada não devem casar-se com infiéis, papistas ou outros
idólatras; nem os piedosos prender-se a jugo desigual por meio do
casamento com os que são notoriamente ímpios em suas vidas, ou que
mantêm heresias perniciosas" (XXIV:III).
Mas e se alguém for salvo após ter se casado, e
Deus não tiver convertido a outra parte, seja esposo ou esposa; ou, o
que dizer se um cristão se casar, pecando, com um incrédulo? Isso
significa que eles deveriam se divorciar? Não! "Aos mais digo eu,
não o Senhor: se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em
morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo e
este consente em viver com ela, não deixe o marido" (1 Coríntios
7:12-13).
Os cristãos devem se casar apenas com outros
cristãos piedosos e ortodoxos. Além do mais, se Paulo roga aos seus
irmãos coríntios "pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo"
que eles falem a mesma coisa, e estejam perfeitamente unidos em uma só
mente e parecer, a fim de que não houvesse divisões entre eles (1
Coríntios 1:10), quão muito mais isso não se aplica a dois crentes
que estão considerando se tornarem uma só carne pelo matrimônio?
Certamente, não deve haver divisões entre eles! Sem dúvida, eles
devem falar a mesma coisa e ter a mesma disposição mental e o mesmo
parecer!
Dois cristãos que estão contemplando o casamento
devem ter a mesma disposição mental e o mesmo parecer sobre a natureza
do próprio casamento (união de duas pessoas "até que a morte nos
separe"), os papéis de cada um no casamento (maridos como líderes
amorosos e esposas como auxiliadoras submissas, assim refletindo o
relacionamento de Cristo para com a Igreja), e os propósitos do
casamento (companheirismo íntimo e auxílio mútuo, criar crianças
santas, e evitar a fornicação). Eles devem, também, e obviamente, ter
a mesma disposição mental e o mesmo parecer no que diz respeito à
doutrina bíblica, conforme ela está resumida nas confissões
Reformadas.
Mas há outra forma de considerar a unidade requerida
para o casamento "somente no Senhor" (7:39). Somos ensinados
por esse versículo que devemos nos casar apenas com outra pessoa que
confesse e viva sob o senhorio de Jesus Cristo – seu governo e
senhorio soberanos de todas as coisas.
Cristo é Senhor da criação. Acaso seria casar
"somente no Senhor" se unir a um "teísta evolucionista"
ou um "criacionista progressivo? Tal pessoa nega o senhorio de
Cristo, como aquele por meio de quem foram feitas todas as coisas nos
céus e na terra num espaço de seis dias, porque ela se compromete com
o evolucionismo. Cristo é o Senhor da história, como soberano
governador de todas as coisas, mesmo do pecado e catástrofes e o
anticristo, segundo o eterno decreto de Deus (Efésios 1:11). Acaso seu
namorado ou namorada crê nisso? Cristo é o Senhor da redenção,
morrendo na cruz para purgar os pecados de Seu povo (Mateus 1:21), Seu
rebanho (João 10:15), Sua semente (Isaías 53:10) e Sua igreja (Efésios
5:25) – e não os pecados dos bodes (Mateus 25:33), nem os da
descendência da serpente (Gênesis 3:15), nem da sinagoga de Satanás (Apocalipse
3:9). Cristo é o Senhor da eleição e da reprovação (Romanos 9), da
regeneração (João 3:8; Tiago 1:18), do chamado, da justificação, da
adoção e da glorificação (Romanos 8:30). Como pode alguém que
recebeu a verdade da soberana graça ser "inteiramente unida, na
mesma disposição mental e no mesmo parecer" (1 Coríntios 1:10)
com alguém que faz a salvação de Deus depender do "livre-arbítrio"
do pecador? Cristo é o Senhor da igreja, como o seu único redentor,
cabeça e rei. A sua vontade, nas Escrituras, deve determinar a doutrina
da igreja, seus sacramentos, disciplina, adoração e governo, e não os
sentimentos dos homens, a cultura moderna ou as tradições antigas.
Cristo é o Senhor da aliança, estabelecendo-a não apenas com os
crentes, mas também com a sua semente eleita (Romanos 9:6-13), e
ordenando o batismo das crianças desses crentes (Gênesis 17:7; Atos
2:39; 16:14-15; Colossenses 2:11-12).
Cristo é o Senhor também do todo de nossas vidas:
corpo e alma; trabalho e descanso; família, lar, filhos e amizades,
etc. Ele é nosso senhor e nós somos sua propriedade, de maneira que
nossas habilidades, nosso tempo e possessões devem se colocar a seu
serviço – no namoro e no casamento igualmente!
Assim, os cristãos devem se casar (e namorar)
crentes ortodoxos no temor de Jeová, buscando agradar a Cristo e em
todo tempo submeter-se ao seu senhorio e honrá-lo. Tais casamentos
glorificam a Deus, fortalecem a igreja e resultam em lares cristãos
sólidos … e esposas felizes e contentes (Salmos 127-128)!
Fonte: "Marrying in the Lord,"
Covenant Reformed News, October 2007, Volume XI, Issue 18.
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