A
Expiação Universal É Verdadeira?
Rev. Angus Stewart
Parte 1
Uma parte dos leitores têm perguntado acerca da
amplitude do propósito da expiação, isto é, por quem morreu Cristo?
Esta questão é especialmente importante porque muitos evangélicos
acreditam hoje em dia que Jesus derramou o Seu sangue por todas as
pessoas, cabeça por cabeça, não excluindo ninguém. Esta perspectiva
é pregada em muitos púlpitos e largamente promovida em livros e
panfletos. Mas esta posição precisa ser analizada muito cuidadosamente.
É realmente verdade que Jesus deu a Sua vida para salvar todos sem
excepção? Deixem-nos perguntar algumas questões acerca deste ponto de
vista.
(1) Como pôde o Deus Triúno, que possui
sabedoria e compreensão infinitas, enviar o Seu muito amado Filho
salvar do pecado e do Inferno aqueles que já estavam no Inferno, um
lugar do qual os malditos não podem sair (cf. Lucas 16:26)?
(2) Deus enviou a Sua Palavra a somente uma
nação, os Israelitas, durante o tempo Velho Testamento, e "Não
fez assim a nenhuma outra nação" (Sl. 147:19-20; Actos 14:16).
Mais ainda, Jeová também não enviou o evangelho para todos no tempo
do Novo Testamento (cf. Actos 16:6-8; Mt. 24:14). Porquê então
enviaria Deus Cristo para morrer por aqueles que nunca iriam ouvir o
evangelho e por isso nunca poderiam ser salvos (Rm. 10:14, 17)?
(3) A Bíblia ensina que Judas era "o filho
da perdição" (João 17:12), isto é, um homem todo caracterizado
pela perdição, ruína e eterna destruição. Morreu Jesus realmente
por Judas quando Ele sabia que o Velho Testamento já tinha profetizado
que Judas O iria trair (Sl. 41:9) e "para ir para o seu próprio
lugar", nomeadamente Inferno (Actos 1:25; Sl. 109; João 17:12)?
(4) A Escritura afirma que Deus odiou Esaú (Rom.
9:13) mas onde for que se fale da expiação de Cristo é como o fruto
do amor de Deus (e.g., João 3:16; 15:13; Rom. 5:8; I João 4:10). Como
então pôde Deus enviar Cristo, em Seu infinito, eterno e imensurável
amor (Ef. 3:18-19) para morrer por Esaú o qual Ele odiava?

Parte 2
Nas últimas Notícias nós começamos a criticar a
posição largamente mantida de que Cristo derramou o Seu sangue para
redimir todas as pessoas, cabeça por cabeça. Agora nós devemos
acrescentar aos prévios quatros argumentos, três outros baseados nas
designações da Escritura aos quais Cristo dirigiu a Sua morte.
(5) Cristo morreu pelo Seu "povo"
(Mt.1:21) e pelos Seus "amigos" (João 15:13). O "povo"
que Cristo redimiu é depois descrito como "sua semente" (Isa.
53:10) e não a semente da serpente (Gen. 3:15); Seus "filhos,"
"crianças" e "irmãos" (Heb. 2:10-14) e não "bastardos"
(Heb.12:8); Suas "ovelhas" (João 10:15) e não "os
bodes" (Mt. 25:33); Sua "igreja" (Actos 20:28; Ef. 5:25)
e não a "sinagoga de Satanás" (Ap. 3:9); e os "muitos"
(Isa. 53:11-12; Mt. 26:28) e não todos, cabeça por cabeça.
(6) Em João 10, Jesus ensina que Ele, o bom
pastor, morreu pelas Suas Ovelhas (11, 15). Mais tarde, Jesus disse a
algumas pessoas que elas não eram Suas ovelhas e que este era o motivo
pelo qual elas não acreditavam: " Mas vós não credes porque não
sois das minhas ovelhas" (26). O nosso argumento é simples: Jesus
morreu pelas Suas ovelhas; Ele disse a certas pessoas que elas não eram
Suas ovelhas; por isso Jesus não morreu por elas. Jesus também disse
que as Suas ovelhas foram-lhe dadas pelo Seu Pai ("Meu Pai, que mas
deu;" 29). O Pai deu as ovelhas a Cristo no Seu eterno propósito
de eleição para que Ele pudesse morrer por elas e reuni-las de todas
as nações (16). Uma vez que Cristo morreu por Suas ovelhas, e Suas
ovelhas são os eleitos, Cristo morreu pelos eleitos.
(7) Na Sua oração sacerdotal, Cristo diz,
"Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me
deste, porque são teus" (João 17:9). Se Jesus não fez a pequena
coisa (orar pelo mundo), é de todo compreensível que tenha feito a
maior coisa (morrer pelo mundo)? Para mais, a intercessão é um dos
dois aspectos da obra sacerdotal de Cristo. Se Cristo não orou pelo
mundo (um aspecto do seu trabalho sacerdotal), é possível que Ele
tenha morrido pelo mundo(o outro aspecto do Seu trabalho sacerdotal)?
Isto destruiria a unidade do ofício sacerdotal de Cristo porque Ele
teria morrido por aqueles por quem Ele não teria (e não tem)
intercedido. Considere que Cristo ora na base da Sua obra de redenção
consumada. Por isso, se Cristo não orou pelo mundo, é porque Ele não
morreu para redimir o mundo.
Lembre-se também que Jesus está aqui a orar horas
antes da cruz e com os olhos na Sua morte sacrificial, porque Ele diz,
"Pai, a hora é chegada." Ao longo de João 17, as orações
de Cristo (e por isso a Sua obra redentora) são particulares, somente
para os eleitos, aqueles que o Pai Lhe deu (2, 6, 9, 11, 12, 24). Cristo
diz, "E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles
sejam santificados na verdade" (19). A santificação de Cristo é
a Sua separação de todo o pecado para fazer a vontade d'Aquele que O
enviou. Cristo se separou especialmente como nosso necessário
sacrifício na cruz. E isto, Ele diz-nos, foi porque "os tens amado",
aqueles quem o Pai Lhe deu, os eleitos. Assim, as orações e o
sacrifício de Cristo não só foram particulares—"aqueles que me
deste" (9)—mas também exclusivos, "não pelo mundo"
(9).

Parte 3
Nas últimas duas exposições das Notícias, nós
levantámos sete objecções contra a noção muito popular que Jesus
deu a Sua vida para remir os pecados de todos os homens sem excepção.
Por favor, consultem as vossas Bíblias à medida que acompanham os
argumentos (8) e (9) abaixo, em especial o (9).
(8) Se Cristo morreu absolutamente por todos (e o
Seu sacrifício é seguramente motivado pelo amor; Ef. 5:25; Jo 3:16),
então Ele também amou e morreu pela falsa igreja, a prostituta das
multidões que fornicam com ela na sua adoração corrupta (Ap. 17:1-2,
15). Mas Efésios 5:25 ensina que Cristo "amou a igreja, e se deu
por ela." Nenhuma menção é feita aqui a um amor de Cristo ou a
uma morte de Cristo por aquilo que não é a verdadeira igreja que é
santificada pela Palavra de Deus purificadora (26) e apresentada sem
mancha no último dia (27). Se Cristo amou e morreu por todos, cabeça
por cabeça [que necessariamente inclui a falsa igreja], então Cristo
n"amou a igreja [e a falsa igreja], e se entregou por [elas]."
Mas os maridos são ordenados a "amem as vossas esposas, tal como
Cristo amou a igreja [e a falsa igreja]" (25). Então os maridos
terão de amar as suas esposas como Cristo ama a Sua noiva e a
prostituta, a falsa igreja.
Mas a Escritura ensina que Cristo tem uma noiva, a
igreja de todas as eras (Ap. 21:2). Ele amou-a e se entregou por ela
somente. Isto, e não a teoria de que Jesus amou e morreu por toda a
gente, é a verdade da cruz, e o modelo para os maridos cristãos.
(9) Isaías 53 é o melhor capítulo no VT, e
possivelmente em toda a Bíblia, acerca do sacrifício substitutivo de
Cristo. A palavra "nossas" por cujos os pecados Cristo foi
"ferido" (4-6) é dada nomes específicos: "meu povo"
(8), "sua posteridade" ou "sua semente" (10), e os
"muitos"—não todos os homens, cabeça por cabeça (11-12).
Eles são o prazer do Senhor que "prosperará nas suas mãos"
(10). Deus nunca fez o reprovado "prosperar nas suas mãos" e
nunca teve prazer neles. Eles não são a Sua semente, povo ou prazer; e
por isso Jesus não morreu por eles.
Aqueles por quem Cristo morreu "são curados"
pelas "suas pisaduras" (5). Não é meramente que eles
poderão ser curados se eles crerem, mas eles são realmente curados.
Aqueles por quem os pecados Cristo carregou são também justificados:
" o meu servo justo justificará a muitos, e as iniquidades deles
levará sobre si" (11). O povo eleito de Deus (8) são justificados
porque Cristo carregou o nosso castigo (11). O réprobo não é
justificado, logo Cristo não o remiu. É para os "muitos"
cujos os pecados Ele carregou que Cristo intercede (12). Lembra-te,
Jesus disse, "não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens
dado" (João 17:9). Os "muitos" por quem Cristo sofreu e
por quem Ele ora são os eleitos, não o mundo réprobo. Neste sentido,
Jesus é perfeitamente "satisfeito" (Isaías 53:11). Se alguns
daqueles por quem Ele foi "ferido" (8) e por quem Ele
intercede (12) não forem curados (5) e justificados (11) e não "prosperem
nas suas mãos" (10) e não recebam uma parte do Seu "despojo"
(12), Cristo não é satisfeito. Até se só uma alma perecer por quem
Cristo morreu, o propósito de Cristo não é totalmente realizado, o
Seu sacrifício não é totalmente bem sucedido e Ele está insatisfeito.

Parte 4
Neste tema, nós continuamos a nossa crítica ao
sacrifício ilimitado ao considerar diversos grupos por quem Jesus teria
de ter morrido se esta teoria fosse verdadeira.
(10) Se Cristo morreu por todos, Ele deve ter
morrido por Caím como também por Abel, Nimrod como também por Noé,
Balaão como também por Moisés. Isto servirá bem também para
nações. Cristo deve ter resgatado não só Israel mas também os
amalequitas (Ex. 17:14-16), os cananitas (Js. 11:20), os amorreus (incluindo
Siom; Dt. 2:30), os filisteus (incluindo Golias) e os edomitas (Ml.
1:2-5). Ele até deve ter entregue a si próprio como sacrifício por
Faraó (Ex. 4:21; Rm 9:17) e pelos egípcios (Ex. 14:17), apesar de não
ter sido feita qualquer provisão para a aplicação do sangue dos
cordeiros sobre as ombreiras de suas portas.
(11) Se Cristo morreu por todos os homens, então
segue-se que Ele foi crucificado para salvar o "homem da perdição"
(II Tess. 2:3) o qual "se opõe, e se levanta contra tudo o que se
chama Deus, ou se adora"(4). Este homem é o cúmulo da obra do
"mistério da injustiça"(7), o tal que opera com "todo o
engano da injustiça" (10) esse "cuja vinda é segundo a
eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de
mentira"(9). É então possível que o Pai tenha enviado Cristo
para morrer pelo homem de Satanás, o "homem do pecado" e o
"filho da perdição"(3), o que é todo caracterizado por
iniquidade e destruição eterna? É então possível que o eterno,
omnisciente Deus enviou o Seu Filho para reconciliar o que pratica
iniquidade aquele a quem Ele ordenou que seria destruído pelo "Espírito
da boca [de Cristo]" e "pelo esplendor da Sua vinda"(8)?
II Tessalonicenses 2 também fala acerca dos
seguidores do homem do pecado. Eles rejeitam a verdade e o filho da
perdição engana-os, e por isso ambos são culpados (10). Mas também
lemos que "Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam
a mentira; para que sejam julgados" (11-12). Se Deus os amou e
enviou Cristo para morrer por eles e quer salvá-los, então porque Ele
envia um forte engano de forma a eles crerem na mentira de forma a serem
julgados?
Semelhantemente, a morte de Cristo por todos em
absoluto apresenta Cristo como oferecendo a si mesmo como sacrifício
pela besta e pelo falso profeta, sobre quem nos é dito que "foram
lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre" (Ap. 19:20).
Para além disso, "aquele que não foi achado escrito no livro da
vida foi lançado no lago de fogo" (Ap. 20:15). Se Cristo morreu
por eles, Seu resgate nada fez para os libertar do castigo eterno.
(12) No Seu ministério público Jesus falou do
pecado imperdoável: "se qualquer disser alguma palavra contra o
Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o
Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no
futuro" (Mat. 12:32). Nem estava Jesus a falar em abstracto; alguns
dos seus ouvintes naquele dia haviam cometido esse pecado (22-37). Jesus
sabia então que algumas pessoas, incluindo os estes fariseus (24), não
poderiam ser perdoados. Que sentido existe em Jesus morrer para a
redenção e perdão (Ef. 1:7) dos que absolutamente não poderiam ser
perdoados? Se há algumas pessoas que Ele "não tem por inocente"
(Naum 1:3), porquê morreria Cristo para estabelecer a base para os
absolver?

Parte 5
Consideremos mais dois argumentos contra a morte de
Cristo por todos, cabeça por cabeça.
(13) Efésios 1:3 ensina que nós fomos
abençoados "todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais
em Cristo." Estas bênçãos chegam a nós porque "também nos
elegeu nele antes da fundação do mundo" (4). Isto é, nós
recebemos todas estas bênçãos de acordo com a nossa eterna eleição
(4) e predestinação (5). Efésios 1 enumera algumas das nossas
bênçãos espirituais: santidade (4), adopção (5), aceitação (6),
redenção (7), o perdão dos pecados (7), o conhecimento da vontade de
Deus (9), o selo do Espírito Santo (13) e uma herança eterna (11, 14).
Nós não só somos abençoados de acordo com a nossa eleição (4, 5),
mas todos os eleitos têm "todas as bênçãos espirituais"
(3). Por outro lado, o facto dos réprobos não serem abençoados com
nenhuma destas bênçãos espirituais é também de acordo com o eterno
"propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da
sua vontade" (11).
Agora recorda, uma das bênçãos espirituais é
" a redenção pelo seu sangue" (7). Então a redenção e o
derramamento de sangue de Cristo são requisitos daquelas bênçãos
espirituais que vêm a nós porque "nos elegeu nele antes da
fundação do mundo" (4). Portanto Cristo redimiu, derramou o Seu
sangue e morreu pelos eleitos e não pelos réprobos. Então os eleitos
são perdoados (7), adoptados (5), aceites (6), feitos santos (4) e
selados com o Espírito (13) para sua herança eterna (11, 14) na base
na morte sacrificial de Cristo. O réprobo não recebe nenhuma das
bênçãos espirituais da morte de Cristo, porque Ele não morreu por
eles.
(14) Outro ponto nem sempre considerado nesta
ligação envolve os sacrifícios do VT que eram tipos da morte de
Cristo. Se Cristo morreu pelos pecados de todos, então é de se esperar
que isto tenha reflexo no sistema sacrificial. Levítico 1-7, a passagem
central dos sacrifícios Mosaicos, fala das ofertas queimadas, das
ofertas de alimentos, a oferta pacífica, a oferta do pecado e a oferta
da transgressão. Estes sacrifícios são sempre particulares, por
Israel, pela igreja (Lev. 1:2; 4:13; 7:36, 38), e em parte alguma lemos
de uma expiação universal, uma oferta por todo individuo Judeu e
Gentio.
Semelhantemente, no Dia do Sacrifício, o sumo
sacerdote fazia um sacrifício pelos Israelitas, não pelos Moabitas ou
Jebuseus (Lev. 16:16, 17, 19, 21, 34). Para além disso, o sumo
sacerdote levava "os nomes [das doze tribos] dos filhos de
Israel"—e não os nomes dos filhos de Esaú—na placa peitoral
"sobre o seu coração, quando entrar no santuário," falando
do Sua obra representativa e intercessória por eles (Ex. 28:29).
Que seja dito que os sacrifícios do VT falam de uma
expiação por cada membro da nação de Israel, lembrando-nos do facto
que "nem todos os que são de Israel são israelitas" (Rom.
9:6) e que o verdadeiro israelita não é o circuncidado na carne mas o
circuncidado no espírito (Rom. 2:28-29). Cristo morreu pelo verdadeiro
Israel e os tipos no VT apontam para a Sua redenção do espiritual
"Israel de Deus" (Gal. 6:16).

Parte 6
(15) Consideremos um argumento de Romanos 8
contra a morte de Cristo por todos os homens, cabeça por cabeça.
Romanos 8:28-30 fala acerca de um povo que Deus pré-conheceu,
predestinado, chamado segundo o Seu propósito, justificado, glorificado
e conforme a imagem do Seu Filho. O apóstolo tira a seguinte conclusão:
"Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será
contra nós?" (31). "Pois" ou "portanto"
indica que isto é uma inferência lógica baseado nos seus argumentos
anteriores, aqui chamados "estas coisas." O "nós"
só podem ser aqueles predestinados (ou eleitos) e chamados conforme o
propósito eterno de Deus (28-30). Então o argumento de Paulo é este:
se Deus é "por nós" (31) na predestinação, chamado,
justificação e glorificação (29-30), então "quem pode ser
contra nós?" (31). Ou para expandir sobre isto: se Deus no Seu
eterno decreto tem-nos escolhido para eterno gozo, chamou-nos das trevas
para a Sua maravilhosa luz, absolveu-nos de todos os nossos pecados e
reputou-nos justos com a mesma justiça do próprio Cristo, e
glorificou-nos ao conformar-nos com a imagem do Seu Filho, então "quem
pode ser contra nós?" (31).
O apóstolo reforça o seu já forte argumento com
outro: " Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o
entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as
coisas?" (32). Quem é o "nós" referido duas vezes aqui
por quem Deus enviou o Seu Filho para morrer? Outra vez, eles são
aqueles predestinados e chamados de acordo com o eterno propósito de
Deus (28-30). A única conclusão é que Cristo morreu pelos eleitos.
Se for objectado que Cristo também morreu pelos não
eleitos, então nós respondemos que a passagem dá nenhuma pista sobre
isso. De facto, isto fará a passagem ensinar que Deus enviou o Seu
Filho para morrer por aqueles que não são predestinados nem chamados,
justificados, glorificados ou conformes a Cristo. Também, se for
argumentado que Cristo morreu pelos réprobos, isto fará a passagem
ensinar que os réprobas vão receber todas as bênçãos da Sua cruz.
Porque o verso 32 ensina que Deus livremente dá todas as coisas
àqueles por quem Cristo morreu. O "todas as coisas" inclui
liberdade da lei do pecado e da morte (2), vida e paz (6), adopção
como filhos de Deus (14), o testemunho do Espírito (16), uma herança
eterna (17), a redenção do corpo (23), a capacidade de orar no
Espírito (26), etc. Para além disso, o "todas as coisas"
também incluirá as bênçãos da justificação, chamado,
glorificação e conformidade com Cristo (29-30) de acordo com a
predestinação eterna de Deus! Então, a visão que Jesus morreu por
reprovados lido em Romanos 8:32 significaria que Deus dá livremente as
bênçãos da justificação, chamado e glorificação aos reprovados,
aqueles a quem Ele nunca chama, justifica ou glorifica. Este versículo
ensina uma ligação absolutamente inseparável entre aqueles por quem
Cristo morreu e as bênçãos espirituais. Alguns não recebem estas
bênçãos. Logo, Jesus não morreu por eles.
A passagem prossegue em dizer que nenhuma acusação
(33) e nenhuma condenação (34) pode ser feita contra aqueles que são
justificados (33), aqueles por quem Cristo morreu (34). Mas muitas
acusações são justamente feitas pelo Deus dos céus contra os
malditos réprobas de modo a serem condenados! Isto é assim porque eles
não são justificados (33) porque Cristo não morreu por eles e não
intercede por eles (34).

Parte 7
(16) Outro argumento contra a expiação
ilimitada flui da doutrina da Santíssima Trindade. O Pai escolheu
salvar os eleitos somente e não os réprobas, o Espírito aplica a
redenção aos eleitos somente e não aos réprobas, mas o Filho (alegadamente)
morreu pelos eleitos e pelos réprobas. Então há uma discrepância
entre a extensão da obra salvítica do Pai e do Espírito (eleitos mas
não réprobas) e a extensão da obra salvítica do Filho (eleitos e
réprobas). Onde está então a unidade entre as três Pessoas de Deus?
Não são todos de "uma só mente" e não têm todos um
propósito. De facto, uma Pessoa da Trindade (o Filho) está a trabalhar
para um objectivo (a salvação dos réprobas) não repartida pelas
outras duas Pessoas (o Pai e o Espírito). O Pai elege o Seu povo para
ser redimido, o Espírito aplica esta redenção aos mesmos eleitos, mas
o Filho (alegadamente) morre para redimir alguns a quem o Pai escolheu
não redimir e alguns a quem o Espírito não quer aplicar a redenção.
O ensino da morte de Cristo por todos os homens cabeça a cabeça é
proíbida pela doutrina Cristã da Santíssima Trindade e vai contra as
afirmações da Escritura acerca da unidade da extensão da obra
salvítica do Pai e do Filho (João 10:15-17; Rom. 3:25-26; II Cor.
5:18-19; Ef. 1:4-7), o Filho e o Espírito (Gal. 4:4-6; Heb. 9:14), e o
Pai, o Filho e o Espírito (II Tess. 2:13-14; Tito 3:4-6; Ap. 1:4-6).
(17) A Expiação Universal é contrariada pela
apresentação Bíblica da expiação de Cristo como uma obra que realmente
salva. Cristo livrou-nos do reino do diabo (Heb. 2:14-15). Ele apaziguou
a ira de Deus contra nós ao carregar sobre si a justa indignação
de Deus contra os nossos pecados (I João 4:10). Ele reconciliou-nos
(Rom. 5:10) e redimiu-nos (Gal. 3:13) e resgatou-nos (Mat. 20:28). A
Escritura não ensina que Cristo torna a salvação possível pela Sua
morte. Em parte alguma diz isso. A Bíblia ensina que Jesus realmente
salva, reconcilia, redime e resgata-nos pela Sua cruz. Ele não o torna
meramente possível a todos os homens serem salvos, reconciliados,
redimidos e resgatados. Na cruz, Ele desviou a ira punitiva de Deus
contra nós para sempre. Não é verdade que a ira de Jeová é apenas potencialmente
desviada de todos os homens para todos poderem ser salvos, se eles,
por um acto do seu "livre-arbítrio," escolherem Jesus. Mais
ainda, esta visão faria a entrada no reino de Deus depender da decisão
do homem e não da eleição de Deus.
Se Jesus pagou o preço por todos os homens e no
entanto alguns perecem no Inferno então a sacrifício de Cristo não
salva realmente aqueles por quem foi feito. Então, também não é substitutivo,
porque se Ele levou o castigo do répobra—no seu lugar!—então
porque perecem? Se alguns acabam no Inferno por quem Cristo morreu,
então Deus pune os seus pecados duas vezes, uma em Cristo e uma neles.
Como pode um Deus infinitamente justo requerer pagamento a dobrar pelos
pecados? Como pode exigir castigo ao pecador no Inferno quando já foi
satisfeita pelos seus pecados? E como podem alguns por quem Cristo
salvou, reconciliou, redimiu e resgatou habitarem para sempre como
inimigos de Deus na prisão do Inferno? Lembra-te: não há condenação
para aqueles por quem Cristo morreu (Rom. 8:34).

Parte 8
(18) Se Cristo morreu absolutamente por todos,
então porque não são todos realmente salvos? Romanos 6 torna claro
que aqueles que estão em Cristo na Sua morte estão mortos para o
pecado e "vivos para Deus" (11), e serão ressuscitados
corporalmente para a glória (5). Mas muitos passam todos os seus dias
"mortos em delitos e pecados" (Ef. 2:1) e serão levantados na
"ressurreição da condenação" (João 5:29). Nós só
podemos concluir que eles não estão unidos a Cristo na Sua morte
(i.e., Cristo não morreu por eles). Pois se os réprobas estivessem
unidos a Cristo na Sua morte (i.e., se Cristo morreu por eles), eles
viveriam para Deus.
A Escritura ensina que quer a fé (Ef. 2:8-9; Fl.
1:29) quer o arrependimento (Actos 5:31; 11:18; II Tm. 2:25) são dons
da graça de Deus. Fé e arrependimento são parte das "bênçãos
espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef. 1:3). As
bênçãos de Deus em Cristo vieram pela cruz de Cristo (Rm. 8:32; Gl.
3:13-14). Mas "a fé não é de todos" (II Ts. 3:2) nem todos
se arrependem (Ap. 16:11). Logo a fé e o arrependimento não foram
comprados para todos, cabeça a cabeça, a cruz e por isso Cristo não
morreu por todos.
Tito 2:14 explica que o propósito de Cristo na Sua
redenção na cruz é a santificação do Seu próprio "povo
peculiar" que nós fossemos um povo purificado e "zeloso de
boas obras". Mas muitos morrem na "imundície" (Ap.
22:11) por causa das suas "obras de impiedade" (Judas 15). Uma
vez que o propósito de Deus omnipotente é firme (Rm 9:11) e nunca pode
ser resistido (II Cr. 20:6), não foi propósito de Cristo de santificar
e redimir o réproba pela Sua cruz. Logo Ele não morreu por eles.
(19) Se Cristo derramou Seu sangue para redimir
todos, cabeça a cabeça, então os credos das igrejas Reformadas, no
continente, nas Ilhas Britânicas e por todo o mundo, ensinam falsa
doutrina neste ponto. Os Cânones de Dort—a maior assembleia de
Protestantes Reformados de sempre—claramente afirma que Cristo redimiu
os eleitos "e somente aqueles" (2:8) e que aqueles que ensinam
que Ele morreu por absolutamente todos "desprezam a morte de Cristo"
e "evocam do inferno o erro pelagiano" (2:R:3). B. B. Warfield
escreveu que os Cânones foram "publicados autoritativamente em
1619 do encontro do Sínodo [Holandês] com a ajuda de um grande corpo
de acessores estrangeiros, representativo de praticamente todo o mundo
Reformado. Os Cânones ... por isso ... [possuem] a autoridade moral dos
decretos de praticamente um Concelho Ecuménico através de todo o corpo
das Igrejas Reformadas" (Works, vol. 9, p. 144). A Confissão
de Fé de Westminster declara, "Nem há outros redimidos por
Cristo ... mas somente os eleitos" (3.6; cf. 8:1; 11:4; 13:1).
Estes artigos foram copiados na Declaração de Savoy e na Confissão
Baptista. Ainda, todos os credos Presbiterianos, Congregacionais e
Baptistas ensinam a Expiação Limitada ou Redenção Particular.
Lembremo-nos também que todos que recitam o Breve Catecismo de
Westminster confessam que Jesus Cristo é o "único Redentor
dos eleitos de Deus" (A 21). Como temos visto nos números
anteriores desta matéria, os credos Reformados simplesmente apresentam
o ensino Bíblico sobre este assunto. Tomemos sem demora a verdade da
Escritura e honremos o crucificado e vitorioso Cristo!
Traduzido por Nuno Pinheiro (http://soberanagraca.blogspot.com)
(Para
material
Reformado adicional em Português, por favor, clique aqui.)