Uma Comparação das Confissões de Westminster com
as Confissões Reformadas
(por Herman Hanko)
Quanto o assunto deste ensaio me foi designado, ele era algo
diferente do título que aparece acima. O comitê sugeriiu que eu
escrevesse sobre as diferenças entre a Confissão de Westminster
e as Três Fromas de Unidade [O Catecismo de Heidelberg, A
Confissão Belga e os Cânones de Dort] com o objetivo de
responder a questão: “As Confissões de Westminster1 se adequam ao
padrão de uma Confissão Reformada?” Nós não trataremos com esta
questão, mas assumiremos que uma resposta afirmativa deve ser-lhe dada,
se por nenhuma outra razão além desta são credos com suas origens
teológicas na Reforma de Calvino. Isto, contudo, não impede uma
comparação destas Confissões como nossas Três Formas de Unidade.
As Confissões de Westminster foram formuladas dentro da tradição
Presbiteriana como desenvolvida nas Ilhas Inglesas. Neste respeito, elas
diferiram da tradição da teologia continental que produziu confissões
tais como o Catecismo de Heidelberg, a Confessio Belgica, a Confessio
Gallicana e os Cânones de Dort.
O que é uma tradição Presbiteriana? Como ela afetou as Confissões
de Westminster? Como esta tradição colocou seu selo exclusivo sobre os
credos que foram publicados depois dela, e como fez com que esses credos
difericem de nossas Três Formas de Unidade? Um breve olhar nesta história
derramará alguma interessante e importatente luz sobre as várias
diferenças amplas que existem entre esses dois grupos de credos.
Origens
Nossas Três Formas de Unidades são todas credos “continentais”,
refletindo a teologia continental. O Catecismo de Heidelberg,
escrito em 1563, apareceu da controvérsia que rasgou na Alemanha por
causa da introdução do Calvinismo naqueal que era predominantemente
uma região Luterana. A imediata ocasião foi uma luta na mesa de comunhão
entre o Luterano Tileman Heshusius e o Diácono Klebitz, um Zwingliano.
Quando os esforços para resolver a falharam, Frederick III confiou a
obra de escrever uma confissão a Casper Olevianus e Zacharias Ursinus.
O duplo propósito era: 1) assegurar a harmonia do ensino no Palatinado;
2) preparar um fundamento para a instrução religiosa da geração
vindoura.
A Confissão Belga, preparada em 1561, surgiu da perseguição
trazida sobre os Reformados na Baixa Escócia por Philip II. Esta
perseguição produziu um número de mártires que “excedeu o de
qualquer outra Igreja Protestante durante o século dezesseis, e talvez
até o de toda a Igreja primitava sob o Império Romano."2 Ela [a
confissão] foi preparada por Guido de Bres com a ajuda de Adrien de
Savaria (Professor de teologia em Leyden e Cambridge), H. Modetus (capelão
de William de Orange), e G. Wingen. Foi apresentada a Philip II n
esperança de ganhar alguma tolerança para a fé Calvinista.
Os Cânones de Dort surgiram da controvérsia na Baixa Escócia
entre o sistema Arminiano dos Remonstrantes e o Calvinismo que tinha
origem nessa terra. Embora os Cânones sejam uma resposta ao cinco
pontos dos Remonstrantes adotados em Gouda em 1610, os Cânones foram
primariamente pretendidos ser uma explicação de alguns pontos de
doutrina encontrados na Confissão Belga e no Catecismo de
Heidelberg,
os quais pontos foram contestados pelos Remonstrantes e tornaram-se os
assuntos da controvérsia.
A ocasião para as Confissões de Westinster foi diferente.
Embora Charles I tenha desfrutado considerável sucesso em seus esforços
para impor a prelazia na Inglaterra, Escócia e Irlanda nos primeiros
anos de seu reinado, gradualmente suas fortunas diminuiram,
especialmente quando os exércitos da Escócia entraram em combate
contra ele e suas tropas reais. A medida que a guerra continou,
gradualmente os Puritanos tornaram-se fortes tanto no exército sob a
liderança de Oliver Cromwell como na nação como um todo, de forma que
em aproximadamente 1640 eles foram capazes de eleger a maioria ao
Parlamento. Este Parlamento, às vezes chamado “O Longo Parlamento,”
convocou a Assembléia de Teólogos de Westminster junto com a Abadia de
Westminster para o propósito de estabeler a uniformidade de adoração
e política da igreja por todos os reinos da Inglaterra, Escócia e
Irlanda. Que esta foi uma grande Assembléia ninguém pode negar. Schaff
observa com respeito a esta Assembléia:
Se olharmos para a extensão ou capacidades dos laboradores, ou para
sua influência sobre as gerações futuras, ela se sustenta primeiro
nos Concílios Protestantes. O Sínodo de Dort foi deveras completaemnte
igual a isto no peso moral e de ensino, e foi mais geral em sua composição,
visto que ele abraçou representantes de quase todas as Igrejas
Reformadas; enquanto a Assembléia de Westminster foi puramente Inglesa
e Escocesa, e seus padrões até o dia de hoje são pouco conhecidos no
continente da Europa. Mas a legislação doutrinal do Sínodo de Dort
foi confinado aos cinco pontos do assunto entre Calvinismo e
Arminianismo; a Assembléia de Westminster abraçou todoo campo da
teologia, desde os eternos decretos de Deus até o juízo final. Os Cânones
de Dort perderam sua influência sobre o seu país mãe; as Confissões
e o Catecismo Menor de Westminster são mais usados agora nas
Igrejas Anglo-Presbiterianas do que antes, e têm mais vitalidade e
influência do que qualquer outra Confissão Calvinista.3
Caráter da Assembléia de Westminster
Não há dúvida de que a verdade exposta na Confissão de
Westminster foi o pensamento Calvinista. Os teólogos que produziram
estas Confissões não somente estavaam, na maioria, fortemente
comprometidos com o sistema de verdade como apresentado pelo grande
Reformador, João Calvino, mas eles também estavam completamente
cientes do desenvolvimento da teologia continental do tempo da Reforma
até o tempo em que eles se encontravam. Eles estavam ainda mais
fortemente cientes da controvérsia Arminiana que se alastrado somente
uns poucos anos atrás na Baixa Escócia, e eles estavam em acordo básico
com a posição Reformada. As Confissões foram, contudo, moldadas na
forma Inglesa, particularmente no sentido de que eram um esforço
consciente para estabelecer a continuidade na teologia Inglesa entre os
Trinte e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra como interpretada pelos
Artigos de Lambeth (1595) e pelos Artigos de Fé Irlandês, redigidos
pelo Bispo Ussher de Dublin[1]
(1615). De fato, a Assembléia gastou a primeira parte de seu
trabalho numa tentativa de revisar os Trinta e Nove Artigos, e somente
abandonou este esforço quando os representantes da Escócia tomaram seu
assento; e, porque estes representantes insistiram num voto de junção
da Liga Nacional e o Pacto da Escócia, o Parlamento instruiu a Assembléia
a redigir uma nova confissão.
Isto foi tanto sua força como sua fraqueza. Foi a força da Assembléia
e das Confissões terem redigido uma nova confissão porque diretamente
desenvolveram as verdades fundamentais da Reforma de Calvino de um modo
natural, proveitoso para a Igreja de Cristo a medida que ela foi chamada
para dar testemunho de sua fé no contexto das Ilhas Britânicas. Foi
também a fraqueza da Assembléia e das Confissões, porque foi inescapável
que o produto da Assembléia produzisse a marca do caráter único da
Reforma Inglesa.
Embora certamente o tempo quando a Assembléia de Westminster foi
chamada para sessão pelo decreto do Parlamento foi um tempo de intranqüilidade,
e confussão nacional, os credos que foram produzidos são, de um certo
ponto de vista, totalmente diferentes das Três Formas de Unidade. Os Cânones
de Dort produziram forte impressão de seu nascimento na controvérsia,
na batalha para defender a fé contra os violentos e amargos ataques
contra ela. As Confissões de Westminster não dão evidências disto.
Esta é particularmente a razão pela qual os Cânones têm aquelas
belas e fortes seções pastorais neles, enquanto as Confissões de
Westminster, embora não destituída deste caráter pastoral, todavia não
se compara com os Cânones de Dort neste respeito. Isto também é
parcialmente o porque da Confissão Belga exala o espírito de perseguição
e martírio a medida que todos artigos começam com as palavas, “Nós
cremos,” ou “Nós todos cremos e confessamos” ou “Nós cremos
com nossos corações.” As Confissões de Westminster, em contraste
com isto, são distintamente objetivas na sua metodologia e apresentam a
verdade na objetiva, e, necessariamente fria, fraseologia. Isto é também
porque há uma diferenã tão grande entre a metologia subjetiva do
Catecismo de Heidelberg e as declarações da Confissão de
Westminster.
Tão belo como a primeira questão e resposta do Catecismo Menor
possa ser (“Qual é o fim principal do homem? O fim principal do homem
é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.”), ela não pode se
comparar com a primeira questão e resposta do Catecismo de
Heidelberg:
“Qual é o teu único conforto na vida e na morte? Que eu com corpo e
alma, tanta em vida como na morte, não pertenço a mim mesmo, mas
pertenço ao meu fiel Salvador Jesus Cristo.”
Em íntima conexão com isto, os teólogos da Assembléia de
Westminster não estiveram de modo algum unânimes em todas matérias de
fé e política. Concercente às matérias de política, a Assembléia
representou os Episcopais (embora a maioria não esteve presente nas
sessões), Independentes, Erastianos [2], e Presbiterianos. Embora isto em si mesmo teve pouco efeito sobre
as decisões (as visões dos Presbiterianos prevaleceram durante o tempo
todo), as diferenças no ponto de vista doutrina afetaram as deliberações.
Alguns que estiveram presentes na Assembléia eram mais ou menos
simpatizantes com certas visões Arminianas, especialmente sobre as
questões da reprovação e a extensão da expiação. Embora suas visões
não prevaleceram e não foram incorporadas à Confissão, alguns
reivindicam que algum abrandamento da posição dos Calvinistas é
talvez evidente. Deve ser notado que havia homens presentes na Assembléia
que pertenciam a Escola Davenant e que foram diretamente influenciados
pelo Amiraldianismo.4 Quando a Confissão estava completa, eles não
estiverem hesitantes em assinar a Confissão, mesmo que não tenham
mudado sua posição. Embora devamos tratar este assunto em grande
detalhe um pouco mais tarde, muitos estudantes das Confissões de
Westminster reivindicam que a Confissão deliberadamente deixou de lado
as visões destes homens.
Tudo isto, contudo, não pode ser entendido exceto no contexto do
propósito do Parlamento e da Assembléia. Schaff escreve: O Puritansimo
“visou uma purificação radical e uma reconstrução da Igreja e
do Estado (a ênfase é nossa) sobre a base única da Palavra de
Deus”.5 Este foi manifestadamente o propósito de um Parlamento e
de uma Assembléia, sobre o controle do pensamento Puritano, para
estabelecer a teologia Puritana e a política da Igreja como a base dos
reinos da Inglaterra, Irlanda e Escócia. A Ordenança emitida pelo
Parlamento convocando a Assembléia de Westminster demonstra também
isto. O propósito para o chamado da Assembléia compreende em parte:
“para fixação do governo e liturgia da Igreja da Inglaterra.”6
Embora seja verdade que uma religião nacional também foi estabelecida
na Baixa Escócia e em outras partes do continente, o propósito
Puritano, como definido pela Liga Nacional e pelo Pacto eram diferentes.
O Puritanismo também deixou sua marca sobre as Confissões de outros
modos. Alguém precisa somente comparar o tratamento, por exemplo, do Sábado
Cristão no Catecismo de Heidelberg e na Confissão de Westminster para
entender que o Capítulo sobre a observança do Sábado que aparece na
Confissão de Westminsteer pode somente ter sido escrita sobre a influêncai
de dentro do contexto do Puritanismo. A visão Puritana do Sábado, não
encontrada em nenhum credo continental e mais severa do que a visão do
próprio Calvino, domina na Confissão. O princípio todo da “pureza
de adoração,” uma ênfase tão forte no pensamento Puritano, faz
possível, por exemplo, a denúncia de dias santos que encontramos no
Capítulo XXI.
Ao mesmo tempo, porque estas Confissões foram escritas uns 90 anos
depois do Catecismo de Heidelberg e da Confissão Belga, elas demonstram
uma maturidade de pensamento e dão evidêncai de um desenvolvimento de
idéias que não são encontradas nos credos antigos. Embora os Cânones
tenham sido escritos somente uns 20 anos antes dos Credos de
Westminster, os Cânones tratam com uma particular controvérsia e
limitam seu desenvolvimento de doutrina para uma resposta ao
Remonstrance dos Arminianos. Não é surpreendente, portanto, que
encontramos nos credos de Westminster um grande desenvolvimento de
alguns pontos chaves. Murray escreve:
A Confissão de Westminster é a última dos grandes
credos Reformados. Deveríamos esperar, portanto, que exibisse características
dinstintivas. A Assembléia de Westminster teve a vantagem de mais de um
século de formulação credal Protestante. A teologia Reformada tinha,
pelos idos de 1640, alcançado uma maturidade que não poderia se
esperar cem anos ou até mesmo setenta e cinco anos atrás. Controvérsias
tinham se desenvolvido no intervalo entre a morte de Calvino, por
exemplo, e a Assembléia de Westminster, que compeliu os teólogos a
darem à doutrina Reformada uma definição mais precisa e completa.
Nenhum credo da Igreja é comparável àquele de Westminster com
respeito à habilidade com que os frutos de quinze séculos de
pensamento Cristão foram preservados, e ao mesmo tempo examinados
novamente e clarificados à luz de um entendimento mais completo da
Palavra de Deus que o Espírito Santo tinha impartido.7
Foco de Comparação
Em nossa discussão mais particular de uma comparação entre as
Confissões de Westminster e as Três Formas de Unidades, teremos que
determinar certas limitações. A primeira limitação é que: nós não
trataremos, exceto aqui e acolá de passagem, com o Catecismo Maior e
Menor. Talvez isto não seja necessário. O Catecismo Maior,
fundamentalmente uma abreviação da própria Confissão de
Westminster,
foi pretendido para ser usado na pregação, enquanro o Catecismo Menor,
um resumo do Maior, foi pretendido para a instrução de crianças.
Assuntos de política e disciplina na Igreja foram omitidos de ambos. A
Confissão Apostólica também foi omitida de ambos, embora foi anexada
ao Catecismo Menor. Nesta conexão, é interessante notar que uma nota
foi anexada à frase, “Ele desceu ao inferno,” que explica que isto
signifar que Cristo esteve no Inferno, isto é, o estado da morte,
durante os três dias em que Seu copor esteve na sepultura. Isto difere
acentuadamente da interpretação dada pelo nosso Catecismo de
Heidelberg, e é talvez uma indicação da persistente influência dos
Trinta e Nove Artigos. Podemos notar também de passgem que o Catecismo
Maior é muito detalhado nos assuntos éticos, novamente um reflexo de
influência Puritana.
A segunda limitação é a totalmente óbvia incapacidade deste
ensaio em tratar em detalhe as diferenças entre os dois grupos de
Confissões. Unas poucas observações serão suficientes. Nas doutrinas
da Trindade e das Pessoas e naturezas de Cristo, as Confissões de
Westminster seguem a tradição de Nicéia-Constantinopla, Calcedônia,
e os Symbolum Quicunque, e não diferem em nenhuma consideração
signficante das Confissões Reformadas. O mesmo é verdadeiro das
doutrinas da criação e da queda do homem e de sua salvação em Jesus
Cristo. Nós podemos contudo observar que a Confissão de Westminster é
mais vigorosa do que os credos Reformados sobre a matéria da imputação
da culpa do pecado de Adão (V, 3) e, subseqüentemente, sobre a verdade
da justiça imputada (XI, 1. Veja também O Catecismo Menor, 18 &
33). A Confissão de Westminster teve também um capítulo inteiro
devotado à questão do livre-arbítrio (IX), e outros capítulo sobre
as boas obras (XVI), que é um extensivo e excelente tratamento deste
assunto. Alguns detalhes interessantes aparecem no tratamento da
soteorologia. No capítulo X,3 é feita menção da regeneração,
embora isto seja identificado com o chamado eficaz, mas no XIII,1 os
dois são mencioandos lado a lado. No X, 3 aparece uma declaração
estranha que parece implicar que é possível aos adultos eleitos serem
salvos sem o ministério da Palavra. No XI,4 a justificação eterna e
temporal são mencionadas juntas. No XVIII, onde a questão da segurança
da graça e da salvação é discutida, o 3 sugere que a segurança não
pertence essencialemente à fé – um asusnto de considerável controvérsia
entre os Presbiterianos hoje. Em toda a área de Eclesiologia e
Escatologia, nenhuma diferença signficante aparece entre os dois grupos
de confissões, embora a Confissão de Westminster tenha desenvolvido
mais extensivamente idéias como a lei de Deus (XIX), liberdade Cristã
e liberdade de consciência (XX), juramentos legais e votos (XXII),
magistrados civis (XXIII) – onde a autoridade para chamar os Sínodos
é dado aos magistrados, censuras Eclesiásticas (XXX), e Sínodos e
Concílios (XXXI). A Confissão de Westminster é também o único credo
de importância na tradição Protestante que rotula o papa como o
Anticristo (XXV, 6).
Há duas importantes áreas onde as Confissões de Westminster têm
um tratamento muito mais detalhado de doutrinas vitais do que as Confissões
Reformadas. Uma é a doutrina da Escritura; a outra é a doutrina do
pacto.
Escritura
Nenhum credo Reformado teeve um tratamento tão detalhado da doutrina
das Escrituras como a Confissão de Westminster. Em seu livro, A
Assembléia de Westminster e Sua Obra , B.B. Warfield devotou dois
longos capítulos para a discussão deste assunto.8 Nos Escritos
Reunidos de Murray,9 ele diz que a doutrina das Escrituras na
Confissão de Westminster foi formulada de tal forma que é relevante
para a disputa de hoje sobre as Escrituras.
Os elementos básicos da doutrina das Escrituras de Westminster são
certamente encontrados nas Três Formas de Unidade. A Confissão
Holandesa, Arts. 3-7, contêm, assim como a de Westminster, verdades
tais como o cânon da Escritura, sua única autoridade, e a prova de sua
autoridade. Cânones V,10 contêm, assim como a Confissão de
Westminster, a verdade de que Deus não dá nenhuma revelação aparte
das Escrituras. Mas na de Westminster alguns pontos adicionais são
tratados e algumas doutrinas são tratadas mais elaboradamente. I,6 contêm
a impressionante e bem-conhecida declaração: “Todo o conselho de
Deus ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e
claramente deduzido dela.” I, 8, ao tratar da transmissão do texto
original, declara que ele foi “pelo seu singular cuidado e providência
conservados puros em todos os séculos.” Este mesmo artigo fala da
necessidde de traduzir as Escrituras para as línguas vulgates. I, 9
apresenta o principio que a Escritura interpreta a Escritura.
Nós temos na Confissão de Wesminster uma bela e importante declaração
concernente à doutrina das Escrituras que é de valor para os nossos
dias quando a Escritura é sujeita a tais ataques amargos do inimigo.
Pacto das Obras
A Confissão de Westminster devota todo o Capítulo VII para a
discussão do paccto de Deus com o homem. Este tratamento mais extensivo
do pacto indubitavelemnte reflete certos avanços que tinham sido feitos
na área da teologia federal. Ao mesmo tempo, é neste capítulo que é
feita menção do pacto das obras. No Art. 2, que trata com este assunto,
lemos: “O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras;
nesse pacto foi a vida prometida a Adão e nele à sua posteridade, sob
a condição de perfeita obediência pessoal.” O pacto das obras é
novamente mencioanada em XIX, 1: “Deus deu a Adão uma lei como um
pacto de obras. Por este pacto Deus o obrigou, bem como toda sua
posteridade, a uma obediência pessoal, inteira, exata e perpétua;
prometeu-lhe a vida sob a condição dele cumprir com a lei e o ameaçou
com a morte no caso dele violá-la; e dotou-o com o poder e capacidade
de guardá-la.”
Algumass observações devem ser feitas concernente este conceito de
Westminster. Em primeiro lugar, é impressionante que o conceito de
“pacto de obras,” embora certamente conhecido na teologia
continental no tempo do Sínodo de Dort, não foi todavia, incorporado a
este credo.
Em segundo lugar, a idéia toda do pacto das obras, desde o tempo de
Dort no continente até o tempo da Assembléia de Westminster na
Inglaterra, tem sido uma parte integral da teologia federal. A idéia
nunca foi seriamente questionada em qualquer circulo ou por qualquer
Reformado ou teólogo Presbiteriano até que foi dada cuidadosa análise
e submetida à um exame detalhado pelo Rev. Herman Hoeksema. Não deveria,
portanto, nos surpreender que ela apareça em Westminster.
Em terceiro lugar, a questão que se levanta é se os teólogos em
Westminster queriam dizer pelo conceito “pacto das obras” a mesma
coisa que os teólogos covenant do último século ou não. Uma
justificativa é às vezes feita para o fato de que isto não é
verdadeiro; é apontado que embora Westminster fale da promessa da vida,
ela não especificamente menciona a vida eterna no céu e se refere
somente a vida perpétua no Paraíso. Se este é o caso, como é argüido,
é tirado todo o conceito da idéia de mérito – uma idéia que é uma
parte crucial da objeção ao conceito.
Não é fácil determinar a resposta para esta questão. Se alguém
estuda a história da teologia federal tanto no continente como na
Inglaterra, descobrirá: 1) que o pacto das obras estava incorporado ao
pensamento dos teólogos federais porque todo o desenvolvimento do pacto
era dentro do contexto da idéia do pacto como um acordo entre duas
partes: Deus e homem. Com esta noção a idéia de um pacto da obra se
ajusta precisamente. 2) Mesmo no tempo de Westminster, certos teólogos
na Ingltaterra que tratavam com a doutrina do pacto falavam da vida
eterna no céu como sendo uma recompensa prometida a Adão sobre a condição
de perfeita obediência.
Todavia, é também verdde que a maioria dos teólogos covenant, se não
todos, fziam ataques veementes contra qualquer idéia de mérito em toda
a obra da salvação e em todos tratamentos de Deus com o homem (Veja
XVI, 4, 5). Para nós é claro que a promessa à Adão de vida eterna
sobre a condição de obediência e a idéia de mérito são panos da
mesma fábrica. Se isto foi tão claro para os teólogos de Westminster
é outra questão.
Há três áreas da Confissão de Westminster na qual uma análise
mais detalhada é devida. Estas três áreas são: 1) a doutrina do
decreto eterno de Deus; 2) a idéia de uma “oferta”; e, 3) a
doutrina da extensão da expiação. Estas três áreas estão, contudo,
estritamente relacionadas uma com as outras, como todos comentadores das
Confissões de Westminster admitem.
O Decreto Eterno
O decreto eterno de Deus é discutido no Capítulo III, embora seja
feita menção também desde assunto no Capítulo V, que trata da providência.
Em primero lugar, a Confissão de Westminster impressionantemente usa a
palavra “predestinar” para a determinação de Deus em trazer Seus
eleitos à vida eterna, enquanto o termo “preordenar” é usado com
respeito aos reprovados. Murray, comentando sobre isto, diz que a razão
não é clara a partir dos registros históricos.10 Em segundo lugar,
a questão levantada é se a formulação desta doutrina segue a linha
infra- ou supralapsariana. Murray escreve:
A seção neste momento citada (III,6) da Confissão requer
comentário de outro ângulo. Sobre a questão da ordem dos decretos
divinos os Cânones de Dort são infralapsariano. Este parece ser
o objetivo do Artigo VII quando ele diz que eleição é o fato de Deus
“escolherm em Cristo para a salvação, um certo número de homens de
toda a raça humana, que tinham caído por sua própria culpa de sua
integridade original para o pecado e a perdição, não sendo os eleitos
melhores ou mais dignos que os outros, mas envolvidos na mesma miséria.”
Mas isto é claramente apresentado no Artigo X quando é dito que Deus
se agradou de “adotar certas pessoas dentre a multidão inteira de
pecadores para ser um povo peculiar para Si mesmo”. A Confissão
parecia ter o mesmo intento. “Os que, portanto, são eleitos, achando-se
caídos em Adão, são redimidos por Cristo”. Isto poderia não ser
correto. As palavras, “achando-se caídos em Adão”, não implica
que os eleito quando escolhido foi contemplado como caído em Adão. As
palavras simplesmente declaram um fato histórico que explica a necessidade
da redenção por Cristo e as outras fases da salvação. A Confissão
é neutra no debate entre os Supralapsarianos e os Infralapsarianos e
intencionalmente assim, como tanto os termos da seção e os debates na
Assembléia claramente mostram. Certamente esta é uma reserva adequada
num credo documental.11
Todavia, toda a linguagem empregada pelos teólogos de Westminster é
uma linguaguem infra: “Aqueles da humanidade que foram predestinados
para a vida” (III, 4); “Os que, portanto, são eleitos, achando-se
caídos em Adão, são redimidos em Cristo” (III, 6); “O resto da
humanidade agradou a Deus não contemplá-los” (III. 7). (Veja também
VI, 1, onde o pecado de Adão é dito ter sido permitido.) E, certamente,
isto é também verdades das Três Formas de Unidade.
Em terceiro lugar, não é um assunto de pequena importância que os
Cânones, quando falando tanto da eleição como da reprovação, usam o
singular, “decreto”: “Deus nesta vida concede a fé a alguns
enquanto não concede a outros. Isto procede do eterno decreto de
Deus” (I,6). Embora a própria Confissão de Westminster use o
singualar, é impressionante que o Catecismo Menor use o plural na Questão
e Resposta 7 & 8. Alguns têm argüido disto que o usdo do singular
ou plural não era importante para os teólogos de Westminster.12
Contudo, isto provavelmente não seja verdade à luz do fato que o
Catecismo Menor, em seu uso do plural “decreto” esteja falando também
dos decretos da criação e da providência.
Em quarto lugar, embora o ponto de vista de Westminster seja que a
doutrina da reprovação é enfaticamente dita ser o decreto de Deus:
“Como lhe apraz, para a glória do seu soberano poder sobre as suas
criaturas, o resto dos homens, para louvor da sua gloriosa justiça, foi
Deus servido não contemplar e ordená-los para a desonra e ira por
causa dos seus pecados” (III, 7). Da fato, a Confissão de Westminster
não estava satisfeita em somente definir a relação da soberania de
Deus com o pecado em termos de mera permissão: “A onipotência, a
sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se
manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira
queda e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens, e isto não
por uma mera permissão, mas por uma permissão tal que, para os seus próprios
e santos desígnios, sábia e poderosamente os limita (Latim: limitatio),
e regula e governa em uma múltipla dispensarão mas essa permissão é
tal, que a pecaminosidade dessas transgressões procede tão somente da
criatura e não de Deus, que, sendo santíssimo e justíssimo, não pode
ser o autor do pecado nem pode aprová-lo” (V, 4). Sobre este ponto
Cunningham oberva:
Nesta declaração já uma aparente e ao mesmo tempo profunda convicção
da necessidade, para trazer completamente toda o conteúdo do que a
Escritura ensina sobre o assunto, para atribuir a Deus algo mais do que
uma permissão vazia com respeito às ações pecaminosas do homem,
combinada com o sentimento da dificuldade de declarar, com algo como
pleno, e ao mesmo tempo com clareza, que este algo mais era.13
A Confissão de Westminster neste respeito concorda completamente com
os Canones sobre este ponto crucial.
A partir dos registros nos deixado do encontro da Assembléia é
evidente que a declaração, “para lhes ordenar para a desonra e ira
por seu pecado”, foi debatida calorosamente nos encontros. Alguns,
especialmente o Dr. Whitaker, querendo remover esta ídéia, então a
removeram. Mas quando ela foi guardada imutável, o Dr. Whitaker entrou
em divergência.14 Murray está certo, portanto, quando ele nega que
a Confissão recusou distinguir entre a reprovação (judicial) e a
preterição que fala somente do anterior, como alguns alegam.15 A
partir de tudo isto, podemos concluir que nenhuma diferença fundamental
existe entre a Confissão de Westminster e as Três Formas de Unidade
sobre este ponto crucial.
Extensão da Expiação
As referências diretas na Confissão de Westminster para a extensão
da expiação são encontradas em II, 6, VIII, 5, 8. O Capítulo VIII é,
claramente, o capítulo crucial, porque ele trata com Cristo o Mediador.
Os artigos pertinentes lemos como se segue. VIII, 5: “ O Senhor Jesus,
pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício
que pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez
plenamente à justiça do Pai. e para todos aqueles que o Pai lhe deu
adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança perdurável
no Reino dos Céus.” VIII, 6: “Ainda que a obra da redenção não
foi realmente cumprida por Cristo senão depois da sua encarnação;
contudo a virtude, a eficácia e os benefícios dela, em todas as épocas
sucessivamente desde o princípio do mundo, foram comunicados aos
eleitos ”. VIII,8: “Cristo, com toda a certeza e eficazmente
aplica e comunica a redenção a todos aqueles para os quais ele a
adquiriu”. Mas a referência no III,6 é também importante porque ele
limita a extensão da expiação para os eleitos enfaticamente como
sendo os únicos por quem Cristo morreu. “Assim como Deus destinou os
eleitos para a glória, assim também, pelo eterno e mui livre propósito
da sua vontade, preordenou todos os meios conducentes a esse fim; os que,
portanto, são eleitos, achando-se caídos em Adão, são remidos por
Cristo, são eficazmente chamados para a fé em Cristo pelo seu Espírito,
que opera no tempo devido, são justificados, adotados, santificados e
guardados pelo seu poder por meio da fé salvadora. Além dos eleitos
não há nenhum outro que seja remido por Cristo, eficazmente chamado,
justificado, adotado, santificado e salvo.”
Como foi verdade da doutrina dos decretos de Deus, assim foi também
verdade desta doutrina que muito debate se levantou ao redor dela nas
discussões sobre o soalho da Assembléia. Todos concordavam que a expiação
de Cristo foi suficiente para todos – como os Cânones também assim
expresaram (II, 3). Mas a questão era, se a intenção divina era
determinada em sua extensão pela suficiência da expiação ou por sua
eficácia. A última era a visão que prevaleceu na Assembléia,
enquanto que a primeira foi defendida fortemente por aqueles que
sustentavam o Amiraldianismo. Isto é, a visão que prevaleceu foi a que
a extensão da expiação, na intenção de Deus, foi limitada aos
eleitos somente pelos quais o sofrimento de Cristo foi eficaz. Os
Amiraldianistas argüiam que a expiação foi universal na intenção de
Deus, porque sua extensão era determimada pela sua suficiência e esta
foi suficiente para todos os homens de todos os lugares. Não somente os
Amiraldianistas como Seaman, Vines, Marshall e Calamy defenderam esta
proposição, mas Richard Baxter fez o mesmo. Shaw16 fala disto
citando Baxter.
O celebrado Richard Baxter, que defendia a redenção geral, faz a
seguinte observação sobre esta e outra seção de nossa Confissão:
“Cap. III, seção 6, e cap. VIII, seção 8, que fala contra a redenção
universal, não entendo, não a redenção e particularmente o próprio
sofrer a punição dos pecados do homem, e a satisfação da justiça de
Deus, mas o que não entendo é esta redenção especial apropriada para
os eleitos, que foi acompanhada com uma intenção de aplicação real
dos benefícios salvadores no tempo. Se eu não posso concordar com esta
interpretação, eu devo nisto divergir.”
Os Universalistas, seguindo Baxter, desde o tempo da escrita deste
credo insistiram que o credo deixou de lado a posição deles.17
Subseqüente à adoção do credo, um grande tratamento de argumentação
apareceu em suporte desta idéia (que a Confissão de Westminster não
excluiu especificamente o universalismo) por causa da mençao de
“oferta” na Confissão de Westminster. Schaff reivindica18 que a
idéia da oferta contradiz, ou pelo menos deixa aberta, a questão da
extensão da expiação como limitada aos eleitos como isto é ensinado
em III, 6 e VIII, 8. Mitchell e Struthers reivindicam19 que os homens
de da Escola Davenant aceitaram a declaração estrita da expiação
porque os artigos sonre a oferta deixaram de lado a visão deles. E
assim o argumento continua até o presente.
Que a questão da oferta está inseparavelmente relacionada à questão
da extensão da expiação é provado pelo fato que Calamy argüiu na
Assembléia que a redenção universal era necessária para manter a
oferta.20 Embora não possamos responder esta questão sem considerar
o que a Confissão ensina sobre o assunto da oferta, podemos apontar
aqui que não importa o que possa ser verdade, os teólogos de
Westminster pretenderam limitar a extensão da expiação em sua eficácia
para os eleitos somente. Isto é claro a partir de III,6, citado acima.
A questão é: Qual é a extensão da expiação pela intenção de
Deus?
A 'Oferta'
O próprio termo é usado em VII,3: “O homem, tendo-se tornado pela
sua queda incapaz de vida por esse pacto, o Senhor dignou-se fazer um
segundo pacto, geralmente chamado o pacto da graça; nesse pacto ele
livremente oferece (Latim: offert) aos pecadores a vida e
a salvação por Jesus Cristo, exigindo deles a fé nele para que sejam
salvos; e prometendo dar a todos os que estão ordenados para a vida o
seu Santo Espírito, para dispô-los e habilitá-los a crer.” O termo
aparece novamente em X, 2, embora o Latim use uma palavra diferente:
“Esta vocação eficaz é só da livre e especial graça de Deus e não
provem de qualquer coisa prevista no homem; na vocação o homem é
inteiramente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito
Santo, fica habilitado a corresponder a ela e a receber a graça nela oferecida
(Latim: exhibitam) e comunicada.” No Catecismo Menor Questão
& Resposta 86 a palavra “oferta” também aparece: “O que é fé
em Jesus Cristo? Fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual
o recebemos e confiamos só nele para a salvação, como ele nos é oferecido
(Latim: offertur) no Evangelho.”
Não há questão sobre se estes usos do termo “oferta” tem sido
apelado em suporte da idéia de que os teólogos de Westminster
sustentaram não somente uma intenção da parte de Deus de salvar todos
os homens, mas também a idéia de que uma expiação geral não foi
especificamente condenada de forma que faz a oferta ser sincera. Se esta
é uma interpretação correta e honesta do credo é outra questão.21
Há diversas considerações nesta conexão que parecem militar
contra isto.
Em primeiro lugar, a palavra “oferta” como usada em X,2
claramente não é o assunto aqui. O Latim exhibitam mostra que
os escritores de Westminster tinham algo totalmente diferente em mente
do que qualquer idéia da intenção de Deus salvar todos os homens. Em
segundo lugar, a palavra “ofert” não necessita ter a conotação
dada a ela pelos homens da Escola de Davenant e que é dada hoje pelos
defensores da livre e bem intencionada oferta do evangelho. Isto é
evidente, em primeiro lugar, pelo fato que o próprio termo em Latim
significa “apresentar.” Em segundo lugar, ele é usado neste sentido
nos Cânones em III & IV, 9.
Em terceiro lugar, há evidência de que o significa dado para
“oferta” pelos homens de Davenant não foi o significado de muitos
na Assembléia. De acordo com Warfield,22 Rutherford, um membro
proeminente da Assembléia, parece ter usado o termo somente no sentido
da pregação do evangelho. Warfield também reivindica23 que
Gillespie, outro teólogo dotado, falava de “oferta” no sentido de
pregação ou no sentido de mandamento quando ele reivindicava, durante
o debate, que o mandamento nem sempre implica intenção, isto é,
quando Deus ordena que todos os homens se arrependam do pecado e creiam
em Cristo, isto não necessariamente implica que é a intenção de Deus
salvar todos aqueles a quem Ele ordena isto. Shaw argüiu o mesmo ponto
e reivindica que a Assembléia usou o termo “oferta” somente no
sentido de “apresentar.”24
Em quarto lugar, Schaff parece reivindicar que os teólogos de
Westminster podem ter contradito a si mesmos pela limitação da expiação
de um lado aos eleitos, e introduzindo por outro lado a idéia de uma
oferta, algo que requer uma expiação universal. Mas há um caso prima
facie [3]
contra isto. Os teólogos de Westminster conheciam sua teologia
muito bem para cometerem um erro tão grave. E, se de modo concebível
isto fosse possível, o próprio fato que o ponto foi discutido na
Assembléia elimina qualquer conclusão semelhante. Se, então, os teólogos
de Westminster pretenderam limitar a expiação somente aos eleitos, e
se eles sabiam que uma oferta no sentido da intenção de Deus salvar
todos os homens requer uma redenção universal, eles certamente não
incluiriam qualquer idéia semelhante a este no credo.
Finalmente, a linguagem do próprio artigo tudo, menos um significado
favorável para a palavra. A frase “exigindo deles a fé nele para que
sejam salvos” certamente pretendia explicar a frase, “nesse pacto
ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação por Jesus
Cristo.”
A partir destas considerações, podemos concluir que o uso deste
termo nas Confissões de Westminster tinha o mesmo significado de seu
uso nos Cânones.
Há, contudo, um outro assunto nesta conexão. X, 4 fala das operações
comuns pelo Espírito: “Os não eleitos, posto que sejam chamados pelo
ministério da palavra e tenham algumas das operações comuns do Espírito,
contudo não se chegam nunca a Cristo e portanto não podem ser
salvos.” É totalmente claro a partir do resto deste artigo que os teólogos
tinham em mente as boas influências. É também claro que mais tarde o
pensamento Puritano, especialmente o dos homens de Marrow, uniram isto
à bem intencionada oferta do evangelho. De fato Cunningham25 é tão
ousado a ponto de dizer que todos os Calvinistas mantém certos benefícios
da expiação adquiridos para todos os homens.
Os teólogos de Westminster não deram qualquer explicação
adicional para esta declaração, e nós somos deixados para especular o
que eles podiam pretender dizer. É possível que eles se referiram ao
fato, comum mais tarde no antigo Puritano, que a pregação da lei pode
e usualmente produz alguns tipos de influência sobre o ouvinte não
regenerado para que ele seja capaz de ver seu pecado, até mesmo se
afligir de certa forma por ele, mostrar um interesse por Cristo como o
Único através de Quem ele pode escapar do pecado, e até mesmo ter um
certo desejo pela bem-aventurança da qual o evangelho fala. Em sua reação
à ortodoxia fria e morta da Igreja da Inglaterra e ao terrível
mundanismo que caracterizou tantos de seus membros, e porque os
Puritanos possuíam uma visão defeituosa do pacto, a experiência
religiosa era para eles um aspecto crucial da salvação. E sua visão
do efeito do evangelho, especialmente a pregação da lei, era
influenciada por isto. Se isto é realmente verdade, esta idéia é
condenada pelos Cânones em III & IV, B, 4. Mas nós podemos somente
especular.
Conclusão
Tomando todas estas coisas em consideração, é nossa convicção
que embora as Confissções de Westminser sejam claramente
Prsesbiterianas e embora diferenças certamente existam entre a teologia
Presbiteriana Inglesa e a teologia Reformada continental, estas diferenças
são certamente de um tipo não essencial, e que nenhuma barreira para a
verdadeira unidade existe entre aqueles que as sustentam em sua doutrina
e vida e aqueles que mantém as Confissões continentais como suas
confissões básicas, e que elas permanecem solidamente na tradição da
Reforma Calvinista.
(Para
material
Reformado adicional em Português, por favor, clique aqui)
__________________
1Quando o Prof. Hanko fala de Confissões de
Westminster (plural) ele inclui os Catecismos Maior e Menor.
2Philip Schaff Creeds of Christendom (New
York) I, 503.
3Schaff, p. 728.
4Moise Amyraut (1596-1664) publicou seu Traité
de la Prédestination in (1634) no qual ele ensina que Deus apontou
todos para salvação, condicionado sobre o arrependimento e fé deles.
Consequentemente a expiação foi universal. Para os eleitos Deus deu
uma obra especial extra do Espírito Santo, lhes capacitando a crer.
John Davenant promoveu estas visões na Inglaterra, e alguns de seus
seguidores estavam presentes na Assembléia.
5Schaff, I, 703.
6Citado de A. F. Mitchell The Westminster
Assembly, Its History and Standards (London, 1883), I, 111.
7John Murray Collected Writings (Great
Britain: Banner of Truth, 1976) I, p. 317.
8(Mack Publishing, 1972).
9Murray, p. 318.
10P. De Young, ed., Crisis in the Reformed
Churches (Reformed Free Fellowship, 1968).
11De Young, ed. p. 154.
12Warfield, p. 126. A.F. Mitchell & J.
Struthers, eds. Minutes of the Sessions of the Westminster Assembly
of Divines (Great Britain) I, 54ff.
13William Cunningham Historical Theology
(Great Britain, 1979) I, p. 633.
14Warfield, pp. 131ff.
15Crisis in the Reformed Churches, p. 155.
16Robert Shaw An Exposition of the Confession of
Faith (Philadelphia, 1847) p. 71.
17Warfield, pp. 143ff.
18Schaff, I, p. 772.
19Mitchell, I, p. 58.
20Warfield, p. 141.
21See, for a detailed discussion of this point, my
article on "The History of the Free Offer of the Gospel" (4),
Protestant Reformed Theological Journal, XVII, 2.
22Warfield, p. 141.
23Warfield, p. 142.
24Shaw, p. 104.
25Cunningham, II, p. 409.
[1]NT: Capital da
Irlanda.
[2]NT: Seguidores de Thomas Erastus, teólogo e médico alemão
do século 16.
[3]NT: Evidência aparente; prova que exige verficação em
outras origens; prova que não é absoluta.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto /
felipe@monergismo.com