Os Artigos de Lambeth (1595)
William Whitaker
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
1. Deus, na eternidade, predestinou alguns homens para a vida, e
reprovou alguns para a morte.
2. A causa movedora ou eficiente da predestinação
para a vida não é a previsão da fé, da perseverança, das boas obras,
ou de algo inato na pessoa predestinada, mas somente o bom propósito da
vontade de Deus.
3. Existe um número certo e determinado de
predestinados, que não pode ser aumentado nem diminuído.
4. Aqueles não predestinados para a salvação são
inevitavelmente condenados por causa dos seus pecados.
5. Uma fé verdadeira, viva e justificadora, e a
santificação do Espírito de Deus, não são perdidas nem extinguidas
total ou finalmente no eleito.
6. O homem verdadeiramente fiel—isto é, alguém
que recebeu a fé justificadora—está certo, pela plena certeza da fé
("plerophoria fidei"), da remissão dos pecados e da
sua salvação eterna por meio de Cristo.
7. A graça salvadora não é doada, não é tornada
comum, e nem cedida a todos os homens, pela qual eles possam ser salvos,
se assim desejarem.
8. Ninguém pode vir a Cristo a menos que seja
concedido por ele, e a menos que o Pai o traga: e nem todos os homens
são trazidos pelo Pai para vir ao Filho.
9. O homem não tem a vontade ou o poder para ser
salvo.

Os Artigos de Lambeth foram formulados
pelo dr. William Whitaker, Professor Régio de Teologia em Cambridge,
com incentivo do dr. Richard Fletcher (Bispo de Londres), dr. Richard
Vaughan (Bispo de Bangor) e Humphrey Tyndall (Deão de Ely).
Os Artigos foram formalmente aprovados pelo Arcebispo
de Canterbury (dr. John Whitgift), o Arcebispo de York (dr. Matthew
Hutton), o Bispo de Londres (dr. Richard Fletcher), o Bispo de Bangor
(dr. Richard Vaughan) e outros prelados reunidos no Palácio de Lambeth,
Londres (20 de Novembro de 1595). O dr. Whitgift, o Arcebispo de
Canterbury, enviou os Artigos de Lambeth à Universidade de
Cambridge uns poucos dias depois (24 de Novembro de 1595), não como
novas leis e decretos, mas como uma explicação de certos pontos já
estabelecidos pelas leis do país.
Na Conferência de Hampton Court do Rei Tiago I e
vários prelados com os líderes dos Puritanos (janeiro, 1604), o dr.
Reynolds fez o pedido para que "as novas afirmações ortodoxas
concluídas em Lambeth pudessem ser inseridas no Livro dos Artigos."
Mas os Artigos de Lambeth nunca foram formalmente
adicionados aos Trinta e Nove Artigos (1563) da Igreja da
Inglaterra. Contudo, foram aceitos pela Convocação Dublin de 1615 e
enxertados nos Artigos Irlandeses (1615), elaborados por James
Ussher, que se tornou Arcebispo de Armagh e Primaz de toda a Irlanda
(1625-1656). Na Igreja da Irlanda, os Artigos de Lambeth
obtiveram por algum tempo uma autoridade semi-simbólica. Diz-se que
eles foram exibidos no Sínodo de Dordt (1618-1619), pelos
representantes ingleses, como o julgamento da Igreja da Inglaterra sobre
a controvérsia arminiana.
Tristemente, hoje, a maioria das igrejas Anglicanas
ao redor do mundo caiu na teoria arminiana do livre-arbítrio e em
outras piores, e os fiéis Artigos de Lambeth são
desconhecidos ou rejeitados.
Fonte (original): Traduzido com permissão da http://www.cprf.co.uk/articles/lambeth.htm.
1E-mail para contato: felipe@monergismo.com.
Traduzido em março/2007.
(Para material
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