A Explicação Pelagiana do Pecado e Morte
Herman Hoeksema
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Muito superficial é a tentativa, por parte da teoria
Pelagiana, de explicar esse fenômeno2 terrível e universal
como sendo a imitação de um mau exemplo e a influência de um ambiente
mal. De acordo com essa visão, o pecado está sempre apenas no ato;
nunca é uma corrupção da natureza humana. A natureza humana é
inerentemente boa, isto é, sempre tem o poder de determinar se fará o
bem ou o mal. Nesse sentido positivo, a vontade sempre é livre. Não
existe nada como uma escravidão ao pecado. A natureza de Adão nunca se
corrompeu pela transgressão do mandamento especial de Deus. Adão pode
ter se tornado de certa forma fraco. Por causa do seu primeiro pecado,
pode ter ficado mais difícil para ele retornar e guardar o caminho da
obediência, mas sua natureza não se corrompeu. Toda criança que nasce
é inerentemente boa e dotada com uma vontade que pode escolher
livremente o bem ou o mal. A natureza, ou caráter moral, de um bebê
recém-nascido é como um pedaço de folha branca, na qual alguém pode
escrever o que quiser e a qual a própria criança, tão logo cresça,
enche com a escrita do bem ou mal.
Se você pergunta como deve ser então explicado o
fato da escrita ser invariavelmente má, e nenhum homem ser sem pecado,
a resposta é que todas as coisas no mundo são contra aquele bebê no
berço. Desde o primeiro momento que o bebê veio ao mundo, a folha
branca de seu caráter moral começa a receber a escrita da linguagem do
pecado. Quando mais tarde em sua vida passa a ter contato com o mundo de
forma geral, ele se encontra com uma multidão de maus exemplos e
influências malignas que o dispõe ao pecado. Assim, sucede que todos
os homens se desviam e que ninguém é sem pecado. Para salvar a
humanidade e construir um mundo melhor, devemos ter fé no homem,
aplicarmo-nos à construção do nosso caráter, e criar um ambiente
melhor para os homens em geral. Tal é o ensino da nossa era, o ensino
da filosofia humanista.
Fonte: Reformed Dogmatics, Herman
Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, vol. 1, pp. 388-389.
1E-mail para contato: felipe@monergismo.com.
Traduzido em fevereiro/2007.
2Nota do
tradutor: O autor está tratando a depravação total do homem e a
universalidade do pecado e morte.
(Para
material adicional de Herman Hoeksema's Reformed Dogmatics em
Português, por favor, clique aqui)