A Inspiração Plenária da Escritura
Rev. Ronald Hanko
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Como temos observado,2 a palavra plenária
significa "plena." Falamos de inspiração plenária, portanto,
para enfatizar o fato que a Escritura é plenamente inspirada.
Essa é uma verdade que precisa de muita ênfase hoje,
pois há aqueles que, embora alegando crer na inspiração da Escritura,
negam que tudo da Escritura seja inspirado. Talvez eles não
aceitem a história da criação de Gênesis 1-3, ou o que Paulo diz
sobre o lugar da mulher na igreja, ou o testemunho de Romanos 9
concernente à predestinação dupla e soberana. Talvez eles aleguem que
a Escritura é acurada em questões de doutrina e salvação, mas não
nas questões de geografia, biologia, ciência e história. Eles não
crêem que tudo da Escritura foi dado por inspiração.
Contra todas essas alegações, cremos na
inspiração plenária, o que significa várias coisas:
Primeiro, inspiração plenária significa que todos
os livros da Escritura (e nenhum outro) são inspirados por Deus. Não
há nenhum deles que tenha qualquer autoridade ou necessidade menor que
outro.
Segundo, significa que a Escritura é inspirada nos
diferentes tipos de literatura que apresenta. História, poesia, cartas,
profecias: tudo foi "dado por inspiração de Deus, e [é] …
proveitos[o]" (II Tm. 3:16).
Terceiro, inspiração plenária significa que a
Escritura é inspirada também em todas as questões de ciência,
biologia, história e geografia. De fato, existem alguns exemplos
notáveis disso. A Escritura sempre ensinou, por exemplo, que a Terra é
circular, mesmo quando os homens não acreditavam nisso (Is. 40:22). Ela
ensinava o ciclo hidrológico antes desse ser entendido pela ciência (Sl.
104:5-13). A crença que Deus é o inspirador da Escritura e o grande
Criador exclui qualquer possibilidade da Escritura ser incorreta, mesmo
nos seus mínimos e mais insignificantes detalhes.
Quarto, significa que a Escritura é plenamente
inspirada em todas as questões que pertencem às nossas vidas. Não
existem mandamentos ou requerimentos da Escritura que sejam antiquados
ou culturalmente condicionados. Embora registrada por homens, tudo o que
a Escritura diz procede do Deus eterno e não pode ser descartado como
não tendo aplicação para nós.
Quinto, inspiração plenária significa que mesmo a
gramática, vocabulário e sintaxe da Bíblia são inspirados. Faz
diferença que Deus tenha dito descendência, e não descendências
em Gênesis 17:73 (veja também Gl. 3:164). Faz
toda a diferença do mundo o fato de sermos justificados pela fé
ou mediante a fé, mas não por causa da fé. Cada letra,
palavra e sentença são importantes e devem, portanto, ser
cuidadosamente traduzidas. Por causa da inspiração plenária, não
aceitamos paráfrases da Escritura, e nem mesmo versões da Bíblia que
seja uma mistura de tradução acurada e paráfrase, tal como a New
Internacional Version (NIV).
Nossa fé na inspiração plenária é testada por se
damos a esse ensino um mero serviço labial, ou se recebemos a Escritura
como a inspirada e infalível Palavra de Deus em todas as coisas, não
duvidando, não colocando de lado nenhuma parte, mas submetendo-nos,
obedecendo e crendo em tudo o que Deus disse, e fazendo isso embora o
mundo todo esteja contra nós.
Fonte (original): Doctrine According to Godliness,
Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, pp. 15-16.
1E-mail
para contato: felipe@monergismo.com.
Traduzido em abril/2008.
2A Inspiração da Escritura
3"E
estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência
depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a
ti por Deus, e à tua descendência depois de ti."
4"Ora,
as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E
às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à
tua descendência, que é Cristo."
(Para material
Reformado adicional em Português, por favor, clique aqui)